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ABRIL DE 2009  

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Entrevista com Odilon Soares Favoreto

Após 15 anos de sua última participação na Selita, Odilon Soares Favoreto, retorna ao Conselho Fiscal da cooperativa com o objetivo de colaborar com desenvolvimento dos associados. Nesta entrevista ele fala de suas expectativas, atual situação da Selita e dá sugestões para enfrentar a crise.

Boletim Selita: Qual é a sensação em voltar a participar do conselho da Selita?
Odilon Soares Favoreto: Após ter participado do Conselho de Administração no período de 1991 a 1994, é a sensação de mais uma vez dar uma parcela de contribuição para a Selita, cooperativa que aprendi admirar e respeitar desde os tempos que meu pai se tornou sócio há quarenta e cinco anos

BS: Como está hoje a cooperativa Selita?
OSF: Felizmente a nossa cooperativa conseguiu acompanhar a evolução que o mundo está vivendo com a globalização. Hoje vemos vários exemplos de cooperativas co-irmãs que estão passando por momentos difíceis, e graças a Deus com a nossa Selita não ocorre, pois ela vem apresentando resultados positivos proporcionando uma melhor remuneração ao seu quadro social e ao mesmo tempo modernizando e ampliando o seu parque industrial. Ou seja, buscando sempre o equilíbrio de satisfação do associado sem esquecer os investimentos necessários para acompanhar a demanda do mercado.

BS: A crise global, que afetou o desempenho de toda economia, fez com que o cooperativismo tornasse ainda mais forte?
OSF: Acho que independente de crise mundial ou não, o cooperativismo é a solução. Infelizmente existem dirigentes que não conhecem a essência do cooperativismo e entram para o sistema com o único intuito de se beneficiar, manchando o belo trabalho que é desenvolvido no Brasil. Hoje assistimos grandes empresas multinacionais se unindo para enfrentar esta crise e aqui no nosso Estado as cooperativas leiteiras deveriam deixar as vaidades individuais de lado e se unirem para adquirirem fôlego de superar as dificuldades que estamos vivendo.

BS: A Selita está construindo uma indústria de leite em pó. Qual é a importância desse empreendimento para os cooperados?
OSF: Vejo com otimismo este empreendimento para o produtor, porém com certo grau de preocupação. Otimismo porque teremos condições de entrar em competição no mercado internacional do leite em pó, abrindo o leque da linha de produtos. Preocupação com o volume de leite que a nossa cooperativa esta recebendo hoje, que é pequeno para funcionar na estrutura que esta sendo montada na Selita. Entra aqui o que foi citado na pergunta anterior, “União das Cooperativas”, e somente unindo é que se alcançará o volume de leite necessário  para que a nova fábrica opere com capacidade total. Mas confio na atual Administração para aglutinar força com as demais cooperativas para que o produtor saia beneficiado com o investimento que esta sendo realizado.

BS: O que os produtores precisam fazer para melhorar sua produção e produtividade?
OSF: Hoje existem pesquisas disponíveis que mostram diversos sistemas de produção de leite e cabe ao produtor procurar a assistência técnica para orientá-lo a buscar a que melhor se encaixa em sua propriedade onde será avaliado e levado em consideração inúmeras variáveis para se montar um bom projeto, e principalmente do desejo e dedicação do produtor e não ser um produtor de fim de semana. Hoje não há mais espaço para aquele produtor que não se dedique integralmente a sua atividade. Ele tem que se profissionalizar.

BS: Hoje diversos laticínios estão com dificuldade. O que levou as empresas a essa a chegarem a esse ponto. E a Selita com está?
OSF: O principal problema é a má gestão. Principalmente o cooperativismo onde o quadro social é que elege os seus dirigentes, existe o risco de se eleger pessoas que não estão preparadas para desempenhar o seu papel. O sócio não procura se informar em quem está votando ou às vezes vota porque o candidato é bonzinho, deixando de lado o interesse da sua cooperativa. Tempos atrás quando estivemos participando do Conselho de Administração sempre defendemos a idéia de que o próximo Conselho deveria ser formado por pelo menos um terço do atual Conselho no sentido de dar continuidade ao trabalho que está sendo desenvolvido, principalmente se a administração estiver correspondendo as expectativas do quadro social. Na Selita graças a Deus isto vem ocorrendo e acredito ser um dos pontos positivos para o seu sucesso.

BS: Gostaria de deixar uma mensagem ao produtor da Selita?
OSF: Apesar da crise mundial que estamos vivendo a minha mensagem é de otimismo. Em minha opinião o homem tem que acreditar naquilo que esta fazendo e se ele escolheu a atividade leiteira com fonte de renda para sua subsistência, tem que dar tudo de si e acreditar, e ser bastante informado, pois a velocidade com que as informações são geradas é muito grande e quem não se atualizar pode ficar para trás. A nossa cooperativa está se modernizando para acompanhar a evolução do mercado, que é cada vez mais exigente e o seu quadro social também tem que evoluir para juntos sermos uma “Cooperativa Forte”

 
Cooperativa de Laticínios Selita Av. Aristides Campos, 158, Cachoeiro de Itapemirim - Espírito Santo - Brasil - CEP 29.300-903