BS: Como está hoje a cooperativa Selita?
OSF: Felizmente a nossa cooperativa conseguiu acompanhar a evolução que o mundo está vivendo com a globalização. Hoje vemos vários exemplos de cooperativas co-irmãs que estão passando por momentos difíceis, e graças a Deus com a nossa Selita não ocorre, pois ela vem apresentando resultados positivos proporcionando uma melhor remuneração ao seu quadro social e ao mesmo tempo modernizando e ampliando o seu parque industrial. Ou seja, buscando sempre o equilíbrio de satisfação do associado sem esquecer os investimentos necessários para acompanhar a demanda do mercado.
BS: A crise global, que afetou o desempenho de toda economia, fez com que o cooperativismo tornasse ainda mais forte?
OSF: Acho que independente de crise mundial ou não, o cooperativismo é a solução. Infelizmente existem dirigentes que não conhecem a essência do cooperativismo e entram para o sistema com o único intuito de se beneficiar, manchando o belo trabalho que é desenvolvido no Brasil. Hoje assistimos grandes empresas multinacionais se unindo para enfrentar esta crise e aqui no nosso Estado as cooperativas leiteiras deveriam deixar as vaidades individuais de lado e se unirem para adquirirem fôlego de superar as dificuldades que estamos vivendo.
BS: A Selita está construindo uma indústria de leite em pó. Qual é a importância desse empreendimento para os cooperados?
OSF: Vejo com otimismo este empreendimento para o produtor, porém com certo grau de preocupação. Otimismo porque teremos condições de entrar em competição no mercado internacional do leite em pó, abrindo o leque da linha de produtos. Preocupação com o volume de leite que a nossa cooperativa esta recebendo hoje, que é pequeno para funcionar na estrutura que esta sendo montada na Selita. Entra aqui o que foi citado na pergunta anterior, “União das Cooperativas”, e somente unindo é que se alcançará o volume de leite necessário para que a nova fábrica opere com capacidade total. Mas confio na atual Administração para aglutinar força com as demais cooperativas para que o produtor saia beneficiado com o investimento que esta sendo realizado.
BS: O que os produtores precisam fazer para melhorar sua produção e produtividade?
OSF: Hoje existem pesquisas disponíveis que mostram diversos sistemas de produção de leite e cabe ao produtor procurar a assistência técnica para orientá-lo a buscar a que melhor se encaixa em sua propriedade onde será avaliado e levado em consideração inúmeras variáveis para se montar um bom projeto, e principalmente do desejo e dedicação do produtor e não ser um produtor de fim de semana. Hoje não há mais espaço para aquele produtor que não se dedique integralmente a sua atividade. Ele tem que se profissionalizar.
BS: Hoje diversos laticínios estão com dificuldade. O que levou as empresas a essa a chegarem a esse ponto. E a Selita com está?
OSF: O principal problema é a má gestão. Principalmente o cooperativismo onde o quadro social é que elege os seus dirigentes, existe o risco de se eleger pessoas que não estão preparadas para desempenhar o seu papel. O sócio não procura se informar em quem está votando ou às vezes vota porque o candidato é bonzinho, deixando de lado o interesse da sua cooperativa. Tempos atrás quando estivemos participando do Conselho de Administração sempre defendemos a idéia de que o próximo Conselho deveria ser formado por pelo menos um terço do atual Conselho no sentido de dar continuidade ao trabalho que está sendo desenvolvido, principalmente se a administração estiver correspondendo as expectativas do quadro social. Na Selita graças a Deus isto vem ocorrendo e acredito ser um dos pontos positivos para o seu sucesso.
BS: Gostaria de deixar uma mensagem ao produtor da Selita?
OSF: Apesar da crise mundial que estamos vivendo a minha mensagem é de otimismo. Em minha opinião o homem tem que acreditar naquilo que esta fazendo e se ele escolheu a atividade leiteira com fonte de renda para sua subsistência, tem que dar tudo de si e acreditar, e ser bastante informado, pois a velocidade com que as informações são geradas é muito grande e quem não se atualizar pode ficar para trás. A nossa cooperativa está se modernizando para acompanhar a evolução do mercado, que é cada vez mais exigente e o seu quadro social também tem que evoluir para juntos sermos uma “Cooperativa Forte”